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Adorable Mi

Motherhood, Recipes and Lifestyle

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17.10.19

Depois dos Terrible Two

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Todos nós já ouvimos falar dos Terrible Two e todo o drama que existe a volta disso. Pois bem, descobri algo pior 😂. O Santiago está agora numa fase que ficou conhecido por Threenager. Basicamente é um adolescente, mas com três anos, o que digamos que as exigências são ligeiramente menores, e o temperamento igual ou pior. Ora ele ainda não fez os três anos, mas como é habitual, tem sempre estado a frente da sua idade. E para quem não conhece ainda essa expressão, vou deixar alguns sinais de que também chegaram a essa fase.

1.Eles é que mandam. Ou querem comer hambúrguer, ou pizza, se trouxermos pizza querem hambúrguer, se trouxermos hambúrguer querem pizza. Basicamente não sabem o que querem, mas querem.

2. Eles é que decidem o que fazer. Ora aqui por casa, antes de começarmos a comer o Santi diz logo, " o AiAi (Santi) papa tudo e depois lálá (gelado)", claro que ele não come tudo, nem come o gelado, mas decide sempre o que vai fazer. (vá, ele até é muito lindo e come quase sempre tudo)

3. Já conhecemos a fase do polvo, para vestir e mudar a fralda, este é o polvo 2.1. Que para além de não se querer vestir, corre pela casa toda a fugir, e a dizer "não me apanis (apanhas)".

4. Birras, e mais birras. Não podem ouvir um não, se não querem alguma coisa fazem birra, se querem alguma coisa também, basicamente fazem birras por tudo.

5. Ele faz sozinho. Não é só ajudar, é fazer sozinho. Quer alguma coisa para comer, pega no banquinho e vai ao frigorífico buscar sozinho. Não precisa de ajuda, já é super independente.

No outro dia estava a ler um artigo da Slow Mãe, porque gosto muito de acompanhar o trabalho da Patrícia, sobre o que está por trás de um comportamento. Sim, porque temos de procurar informações sobre como podemos resolver isto, e a Patrícia para além de ser mãe, também é psicóloga, por isso nada melhor do que a opinião de quem sabe.

Tendemos a achar que a parentalidade passa por controlar o comportamento dos nossos filhos. É o comportamento que nos salta à vista, que chama a atenção, que nos dá alguns indicadores.

Quando o comportamento se altera, ficamos alertas. Se este passar a ser disruptivo, ficamos preocupados. Muitos pais tendem a resolver os maus comportamentos com castigos, ralhetes, um grito, às vezes uma palmada. Ninguém quer ouvir “o seu filho porta-se mal”.

Mas muitas vezes estas “estratégias” não resultam. Por trás do comportamento há muito que não conseguimos (e muitas vezes não queremos) ver.

Então tenho estado a tentar compreender quais as coisas por trás de um comportamento. Podem ser tantas, mas que a meu ver estão todas, minimamente preenchidas. A Patrícia refere as necessidades básicas; funções executivas; competências sociais; auto-estima; as mais variadas emoções – raiva, tristeza, êxtase, ansiedade; segurança emocional; pensamentos; necessidade de atenção; necessidade de pertença; vinculação; necessidades sensoriais; nível de desenvolvimento; sono; segurança física; necessidade de limites claros; E em todas elas revi o que tenho tentado fazer.

Nem sempre é fácil estar em casa a cuidar de dois meninos tão pequeninos e com necessidades tão diferentes, mas tento dar tanta atenção a um como o outro, muitas das vezes coloco-os a brincarem juntos para que se vão habituando um ao outro e assim consigo brincar com os dois ao mesmo tempo. Outras vezes enquanto o mais pequeno está distraído a brincar ou a ver bonecos, peço ao Santi para me vir ajudar a fazer algumas tarefas, a cozinhar, a por a loiça na máquina (a loiça dele), a por as máquinas a lavar (basicamente carregar nos botões), etc. E apesar de lhe dizer todos os dias o quanto o adoro, de como ele é lindo quando faz alguma coisa bem e sozinho, continuo a levar gritos, palmadinhas (ele gosta de dar aquele toque e foge), e birras daquelas de se atirar para o chão.

Crianças que estão constantemente a reclamar e a amuar, por vezes são apenas crianças que se sentem impotentes, com dificuldade em encontrar estratégias para resolver os problemas. Frequentemente precisam de espaço para chorar.

 

Crianças muito controladoras, “mandonas”, muitas vezes têm medo que as suas necessidades não sejam respondidas.

 

Crianças que provocam, muito competitivas, que competem constantemente com os irmãos, frequentemente precisam de ser mais validados por aquilo que são, precisam sentir-se (mais) conectadas com os pais.

 

Crianças que não ouvem o adulto muitas vezes não se sentem ouvidas; acham que os seus desejos não são tidos em conta.

 

Crianças muito rebeldes às vezes precisam de oportunidade para se sentirem poderosas, em controlo, competentes no seu dia-a-dia

 

Crianças que desrespeitam, que não cumprem regras, às vezes querem apenas mostrar que não se sentem verdadeiramente conectadas com as suas figuras de referência.

 

Quero acreditar que como tudo, é só uma fase, e que não estou a fazer nada de errado, que faz parte do crescimento deles, das suas descobertas para a vida. Já aconteceu muitas vezes, o que não me orgulho muito nisso, de estarmos os dois para aqui a medir forças, de quem é que manda aqui afinal. Mas isso não resolve nada, só faz como que fiquemos mais irritadas e que percamos a razão. Não consegui arranjar nenhuma receita infalível para esta situação, mas deixo aqui algumas coisas que tenho feito para apaziguar as situações. O que atenção, nem sempre resolve a situação, ou acaba com as birras, mas a meu ver é o melhor que posso fazer, pois eles aprendem com o nosso comportamento.

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Conversar é o primeiro grande passo. Agacho-me a altura dele e começo por falar com ele sobre o que está a acontecer. O que ele quer, que se ele gritar eu não o consigo ouvir. Dizer que não podemos fazer alguma coisa e explicar o porquê de não o fazermos. Por exemplo, não podemos comer bolachas antes do almoço, porque se não fica sem fome para o almoço, o almoço delicioso que tivemos/vamos fazer juntos. O que nem sempre resulta, e voltamos a frase de "o AiAi papa tudo", e eu tento explicar que a nossa barriguinha é pequenina e não cabe tudo lá dentro. Outra coisa que dá imensa vontade de fazer, e que as vezes resulta, mas que não está nada certo fazer é ameaças. Tem sido a minha pedra no sapato, porque sei que resulta, mas não posso passar a vida a "vender o meu peixe" com ameaças.

Refletir com o exercício da empatia. Nem sempre resulta, as vezes ele magoa-me, e eu pergunto, queres que te magoe também, e ele diz que sim 🤦🏼‍♀️ e depois eu digo, mas não pode ser que doí, doí mesmo muito. Mas eu acredito que é mais numa de me desafiar do que propriamente querer que faça as coisas. Outro exemplo é quando lhe pergunto se ele quer ir de castigo, e ele diz que sim, assim que o ponho de castigo começa logo a chorar que quer sair. Não sou a favor de o por de castigo, mas algumas vezes faz-lhe bem a ele, dois minutos ali sentado para ele se acalmar, e eu 2 minutos para não me passar, o que pode fazer toda a diferença. Mas na maioria das vezes tento sempre explicar-lhe as coisas, com exemplos do que pode acontecer se ele fizer algo.

O que me leva ás histórias. Histórias que lhe conto, como por exemplo o Malaquias não resiste a um chocolate, que lhe mostram o que se deve ou não fazer, mas como é uma história, com imagens e personagens eles tendem a guardar melhor na sua cabeça. Nesta história fala sobre o roubar, o que acontece quando se faz, e que deixa os outros muito tristes.

Acho que são estes pequenos pormenores que fazem a diferença. E claro que quando ele está calmo, e a brincar, nem dá para perceber que aconteceu ou vai acontecer alguma coisa, mas não se enganem porque vai.

Vamos tentar levar isto como um test drive, um ano de conhecimento de como vai ser os futuros anos de adolescência, pelo menos é só um ano!

 

Mi

 

P.S. vejam também como foi o desfralde, e as actividades didáticas que podemos fazer com eles.

 

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